A
PEDAGOGIA DA SURRA
O tempo passa e
continua a cultura da surra como meio de educar
É algo assustador
e inadmissível para quem desenvolveu a prática do indignar-se,
a pedagogia do bater para ensinar. Mais ainda, por estarmos em pleno
século 21, quando o acesso à informação,
em todos os sentidos, é algo indiscutível. Isto vale também
para o educador instituído pelo poder, que ainda acha que a opressão
é a melhor arma da qual dispõe na escola. De certa forma,
também é bater, usando artifícios que possibilitam
a configuração legal do termo.
Mas voltemos ao
bater fisicamente, que ainda assola o conceito de educação
no lar, deixando as outras formas de opressão (especialmente
as psicológicas) para os domínios escola. Bater não
educa. Domestica ou acende a ferocidade. Pessoas simplórias,
repletas de “sim, senhor”, e aquelas que vingam na sociedade
os maus tratos que sofreram na infância, definitivamente não
produzem para um mundo melhor.
Opressão,
obediência cega, subjugados e senhores não são elementos
de uma sociedade feliz e cidadã. Como dizem pretender formar
os responsáveis que arrotam a máxima de uma “criação
rígida”, como a tiveram de seus pais. Ao pé-da-letra,
educação é imitação. Isto quer dizer
que o exemplo é o único dispositivo educador, pois será
vendo as ações, os modos de vida, as atitudes relevantes
de quem cria ou educa nos bancos da escola que a criança será
um cidadão.
Dispensa-se o predicado
“de bem”, pois só há mesmo cidadão
de bem... Quem não o for, não será cidadão.
Por causa dessa pedagogia da surra é que o mundo está
cheio de pessoas desajustadas, quer sejam mansas ou ferozes. De qualquer
modo, pessoas que fazem do mundo este geóide infeliz e desigual.
Gente que aprendeu a ferir e matar ou a ser ferida e morrer... Pior
ainda, a viver sem vida, exatamente. Foram muitas as gerações
criadas neste contexto equivocado. Ainda estamos sob a influência
de nossos pais, avós e antigos professores, que sofreram na pele
essa a distorção, repassando para geração
presente.
Mas estamos na era
da informática, da informação democrática,
da educação mais ampla, e temos que ter mais visão
e discernimento que os nossos antecessores. Sejamos pais e professores
que tenham, além da palavra, do discurso e da admoestação,
exemplos dignos de ser seguidos... Vidas que possam gerar reflexos positivos
e salutares, para que a sociedade vá se burilando, até
que alcance um padrão de vida plenamente sustentável.
Isto só será possível se houver um começo.
E esse começo há de ser possível quando toda uma
geração, ao invés de atirar a primeira pedra sobre
a outra, lançar a primeira semente... Que alcançará
o solo e o coração de todos. Aí sim, a educação
chegará em seu apogeu, ganhando o sentido que há muito
procura.
* Educador, escritor,
redator dos jornais O REDATOR e MAGÉ NEWS, de Magé. Membro
da Academia Mageense de Letras.