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Veja a Parte II deste artigo

“Já os colegas de High School nos EUA (equivalente ao Ensino Médio) contam que o assassino era vítima de chacotas. Chris Davis, colega de Cho em 2003, recorda de uma aula de inglês. Em certa ocasião, o professor pediu a todos que lessem seus textos em voz alta. O sul-coreano ficou em silêncio, e o professor ameaçou lhe dar uma nota baixa. Cho leu então o que havia escrito, com uma voz profunda e estranha, que soava como "se tivesse algo na boca".
- Tão logo começou a ler, toda a classe começou a rir, a debochar e a dizer ‘volte para a China’ – contou”.

Notícia publicada no Jornal Zero Hora do dia 20/04/2007.

 

O Fenômeno Bullying como causa dos massacres em escolas.
Mário Felizardo*

Aconteceu de novo. Nos Estados Unidos, aluno invade escola mata indiscriminadamente e se suicida.

Entre o massacre na Escola Virgínia Tech desta semana e o primeiro fato ocorrido em 1989, em Stockon, Califónia, quando um homem matou 5 crianças e feriu 30 pessoas, houve, pelo menos, outras 13 ocorrências naquele país, sendo que tais fatos não se limitaram a “América” ocorrendo, também, na Alemanha, Escócia, Japão e Argentina. No Brasil, em Taiúva, interior de São Paulo, no de 2003, um jovem feriu 8 e matou-se; em Remanso, Bahia, ano de 2004, um adolescente matou 2, feriu 3 e tentou o suicídio.

Tais fatos, via de regra, cometidos por indivíduos sem passagens pela polícia, por sua peculiaridade, não podem ser englobados nas estatísticas gerais da criminalidade, nem compreendidos pelo olhar comum da criminalidade, podendo somente ser comparados entre si.

Em todos os casos analisados, precede a ocorrência de uma violência específica presente em todas as escolas: o Fenômeno Bullying, que tem como definição o conjunto de atitudes agressivas, repetidas e sem razão aparente que causam sofrimento. Estamos falando do isolamento intencional, dos apelidos inconvenientes, da amplificação dos defeitos estéticos, do amedrontamento, das gozações que magoam e constrangem, chegando à extorsão de bens pessoais, imposição física para obter vantagens, passando pelo racismo e pela homofobia, sendo “culpa” dos alvos das agressões, geralmente, o simples fato de serem “diferentes”, fugirem dos padrões comuns à turma.

Os alvos dessa violência velada sofrem caladas e de forma contínua, tornando sua vida escolar um martírio. As chagas abertas na alma desses meninos e meninas dificilmente cicatrizam.
Ganham a pecha de “estranhos”, neles é colocado a culpa do isolamento, não incomum vestem-se de forma a mostrar sua degradação psicológica. Em geral, os adultos - pais, professores e direção - não reconhecem ou não valorizam da devida forma essas agressões contínuas.

No Brasil, com as exceções citadas, a válvula de escape da vitimização extrema é a evasão escolar. Nos Estados Unidos, reunindo-se o sofrimento da vítima com uma sociedade de alta competição e extremamente belicista, o homicídio seguido do suicídio é visto como a solução vingativa para quem não vê mais razão em viver. Matam indiscriminadamente: os seus agressores e aqueles que não intervieram para que seu sofrimento cessasse.

Não se trata de justificar o injustificável, nem defender o criminoso. Mas qualquer análise desses crimes sem este prisma, sem analisar a contribuição que a comunidade escolar deu para que esses fatos ocorressem, será uma análise absolutamente afastada da realidade e pouco contribuirá para a busca de soluções.

*Oficial do Juizado da Infância e da Juventude do Poder Judiciário do RS
mariofelizardo@terra.com.br


Em tempo: após a publicação desse artigo, a imprensa dá conta que foi localizada uma carta em que o atirador culpa os colegas pela situação, confirmando ser ele alvo extrema de bullying.Veja a notíci do site Terra:

"'Vocês me levaram a isso', diz atirador em carta
Cho Seung-hui, o estudante que matou pelo menos 30 pessoas em universidade americana deixou uma carta explicando seu ato. Nela, ele culpa outros alunos da Virginia Tech pelo massacre."